O uso de inteligência artificial (IA) por organizações não governamentais (ONGs) é um tema que desperta interesse global. Esse foi o tema central da pesquisa realizada pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O levantamento, que ouviu mais de seis mil pessoas de 10 países, incluindo o Brasil, revelou otimismo em relação às possibilidades que a IA pode trazer, mas também destacou preocupações importantes.
Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados acreditam que os benefícios da IA superam os riscos potenciais, enquanto 22% pensam o contrário. As principais oportunidades associadas ao uso da tecnologia incluem:
- Tomar decisões mais informadas
- Personalizar comunicações
- Aumentar a eficiência
- Medir o sucesso de iniciativas
- Gerenciar voluntários de forma mais eficaz
- Responder rapidamente a desastres
- Ajudar mais pessoas
Por outro lado, os principais riscos identificados foram:
- Violação de dados
- Decisões enviesadas
- Redução da força de trabalho
- Desconexão com a causa principal
- Decisões antiéticas
- Redução da acessibilidade
- Perda de apoio de doadores
De forma geral, a maioria dos participantes avalia que as oportunidades superam os riscos: 34% acreditam que ambos se equilibram, enquanto 25% enxergam mais oportunidades. Em países de baixa e média renda, o otimismo é ainda maior. No Quênia, por exemplo, 44% das pessoas veem mais benefícios. Já na Austrália, foi o único país onde a maioria considerou que os riscos superam as oportunidades, com saldo de -4%.
A capacidade da IA de permitir respostas mais rápidas e direcionadas foi destacada como a oportunidade mais esperada e outros benefícios apontados foram:
- 28%: Respostas rápidas a desastres
- 25%: Ajudar mais pessoas
- 16%: Aumentar a eficiência
- 12%: Tomar decisões mais informadas
- 7%: Melhorar a gestão de voluntários
- 7%: Medir o sucesso de programas
- 5%: Personalizar comunicações
Apesar disso, há preocupações relevantes:
- 27%: Redução da força de trabalho
- 23%: Violação de dados
- 15%: Decisões enviesadas
- 11%: Desconexão com a causa
- 10%: Decisões antiéticas
- 8%: Redução da acessibilidade
- 6%: Perda de apoio de doadores
Esses resultados mostram que o público espera transparência e cautela das ONGs no uso da IA. Em especial, doadores de maior valor tendem a observar mais atentamente como as organizações aplicam a tecnologia para cumprir suas missões. Para a CAF, a pesquisa também reforça que os países de baixa e média renda enxergam melhor as oportunidades do uso de IA em ONGs, especialmente no impacto humano positivo, como ajudar mais pessoas e responder a desastres.
A pesquisa completa pode ser acessada no site da CAF.