Imagem em que mostra uma mão apontando para o ícone de inteligência artificial.

O que pensam as pessoas sobre o uso de IA por ONGs

Susana Sarmiento

Editora do Kantuta Comunica

O uso de inteligência artificial (IA) por organizações não governamentais (ONGs) é um tema que desperta interesse global. Esse foi o tema central da pesquisa realizada pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O levantamento, que ouviu mais de seis mil pessoas de 10 países, incluindo o Brasil, revelou otimismo em relação às possibilidades que a IA pode trazer, mas também destacou preocupações importantes.

Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados acreditam que os benefícios da IA superam os riscos potenciais, enquanto 22% pensam o contrário. As principais oportunidades associadas ao uso da tecnologia incluem:

  • Tomar decisões mais informadas
  • Personalizar comunicações
  • Aumentar a eficiência
  • Medir o sucesso de iniciativas
  • Gerenciar voluntários de forma mais eficaz
  • Responder rapidamente a desastres
  • Ajudar mais pessoas

Por outro lado, os principais riscos identificados foram:

  • Violação de dados
  • Decisões enviesadas
  • Redução da força de trabalho
  • Desconexão com a causa principal
  • Decisões antiéticas
  • Redução da acessibilidade
  • Perda de apoio de doadores

De forma geral, a maioria dos participantes avalia que as oportunidades superam os riscos: 34% acreditam que ambos se equilibram, enquanto 25% enxergam mais oportunidades. Em países de baixa e média renda, o otimismo é ainda maior. No Quênia, por exemplo, 44% das pessoas veem mais benefícios. Já na Austrália, foi o único país onde a maioria considerou que os riscos superam as oportunidades, com saldo de -4%.

A capacidade da IA de permitir respostas mais rápidas e direcionadas foi destacada como a oportunidade mais esperada e outros benefícios apontados foram:

  • 28%: Respostas rápidas a desastres
  • 25%: Ajudar mais pessoas
  • 16%: Aumentar a eficiência
  • 12%: Tomar decisões mais informadas
  • 7%: Melhorar a gestão de voluntários
  • 7%: Medir o sucesso de programas
  • 5%: Personalizar comunicações

Apesar disso, há preocupações relevantes:

  • 27%: Redução da força de trabalho
  • 23%: Violação de dados
  • 15%: Decisões enviesadas
  • 11%: Desconexão com a causa
  • 10%: Decisões antiéticas
  • 8%: Redução da acessibilidade
  • 6%: Perda de apoio de doadores

Esses resultados mostram que o público espera transparência e cautela das ONGs no uso da IA. Em especial, doadores de maior valor tendem a observar mais atentamente como as organizações aplicam a tecnologia para cumprir suas missões. Para a CAF, a pesquisa também reforça que os países de baixa e média renda enxergam melhor as oportunidades do uso de IA em ONGs, especialmente no impacto humano positivo, como ajudar mais pessoas e responder a desastres.

A pesquisa completa pode ser acessada no site da CAF.