A 17ª edição do Festival ABCR reuniu mais de 1.200 pessoas em torno de 130 palestrantes, 90 debates, cinco plenárias e diversas masterclasses, consolidando o evento como referência para a área de captação de recursos no Brasil. Na ocasião, também foram celebrados os 25 anos da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). A Kantuta Comunica conversou com o diretor executivo da entidade, Fernando Nogueira, administrador de empresas com mestrado e doutorado em Administração Pública e Governo pela FGV-SP. Ele falou sobre os principais marcos dessa trajetória, os aprendizados do festival e dicas valiosas para quem quer ingressar na profissão.
Kantuta Comunica- Como foi celebrar os 25 anos da ABCR junto aos dados do Censo 2025? O que ainda será incluído após o evento?
Foi uma celebração muito especial. Tivemos uma plenária dedicada à nossa história, com homenagens a fundadores e ex-presidentes. Também apresentamos dados preliminares do novo Censo ABCR, que mostram a evolução da profissão. Pela primeira vez, incluímos respostas de pessoas que não são associadas, o que ampliou a representatividade dos resultados.
Um dado importante é que a maioria dos captadores atua com vínculo CLT e salário fixo, o que mostra profissionalização e amadurecimento do setor. Ainda serão inseridos cruzamentos mais detalhados, como diferenças entre homens e mulheres, perfis de associados e não associados, atuação em organizações grandes ou pequenas, entre outros recortes que ajudarão a entender melhor o ecossistema da captação.
Kantuta Comunica – Quais foram os principais aprendizados desta edição do Festival?
Destaco três grandes aprendizados:
• Tecnologia e inteligência artificial: estão definitivamente incorporadas ao nosso cotidiano. Precisamos aprender a utilizá-las de forma estratégica, sem abrir mão do elemento humano, essencial para o relacionamento com doadores e parceiros. Não existe botão mágico que resolva tudo.
• Contexto desafiador: vivemos um cenário instável, com guerras, cortes em doações internacionais e discursos hostis às organizações da sociedade civil. Nesse contexto, é fundamental investir em estrutura, equipe e uma área de captação sólida. Não é hora de cortar investimentos, mas de fortalecer vínculos com as bases de apoio.
• Aprendizado prático e coletivo: pela primeira vez realizamos uma plenária de pitch de captação ao vivo. Três participantes fizeram apresentações para captar recursos na frente de um júri especializado, que deu feedbacks na hora. Foi emocionante e muito rico em aprendizados. Essa experiência certamente voltará nas próximas edições.
Kantuta Comunica- Que conselho você daria para quem quer iniciar na área de captação de recursos? Que livros e podcasts você recomenda?
O primeiro passo é acessar o site da ABCR. Lá temos o boletim semanal com notícias do setor, a plataforma Captamos com dicas e conteúdos relevantes, além de cursos oferecidos pela Escola Aberta do Terceiro Setor — muitos deles gratuitos e ministrados por associados da organização.
Uma grande novidade lançada nesse Festival é a certificação profissional em captação de recursos, que reconhece formalmente quem atua com ética, competência e experiência na área. O processo de certificação também serve como guia de aprendizado e desenvolvimento profissional. No site de certificação, há uma lista de referências, livros recomendados e orientações para quem deseja se preparar.
A captação é uma área estratégica e transformadora. É preciso preparo técnico, sensibilidade e engajamento com a causa. Mas, para quem se dedica, é também uma trajetória muito recompensadora.
Para saber outros temas debatidos no evento, acesse o site do Festival ABCR aqui: https://festivalabcr.org.br/