Campanha denuncia crueldade do comércio de peles de jumentos e seus impactos negativos para mulheres e crianças na África

Susana Sarmiento

Editora do Kantuta Comunica

A campanha Fim do Abate, lançada pela organização The Donkey Sanctuary, mostra uma realidade cruel que afeta silenciosamente milhões de mulheres, crianças e animais em todo o mundo: o comércio internacional de peles de jumento para a produção de ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa. A campanha visa mobilizar governos, empresas e consumidores para pôr fim a essa prática devastadora que compromete os direitos humanos, a sustentabilidade e o bem-estar animal.

Segundo o relatório Jumentos Roubados, Futuros Roubados, ao menos 5,9 milhões de jumentos são abatidos anualmente para atender à demanda global de ejiao, cujo mercado movimenta mais de 6 bilhões de dólares. O principal destino das peles é a China, onde o produto é promovido como um elixir para juventude e vitalidade. Contudo, o impacto dessa indústria vai muito além do mercado de cosméticos e suplementos.

Para muitas famílias na África Subsaariana, sobretudo lideradas por mulheres, o jumento é um parceiro essencial de trabalho: carrega água, lenha, colheitas e até crianças para a escola. Quando um jumento é roubado ou abatido, as consequências são imediatas e devastadoras: queda brusca de renda familiar, abandono escolar — especialmente entre meninas —, aumento do trabalho físico e emocional das mulheres e exposição à pobreza extrema.

A pesquisa de campo citada no relatório revela que até 97% das mulheres entrevistadas em regiões do Quênia relataram ter perdido seus jumentos para essa indústria. A renda dessas famílias chegou a cair até 73%. Também evidencia que essa prática agrava desigualdades de gênero, impede o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e compromete o conceito de One Welfare — uma abordagem que integra o bem-estar humano, animal e ambiental. Além disso, o transporte e o abate ilegais de jumentos representam sérios riscos sanitários globais, com potencial para desencadear novas pandemias.

A campanha Fim do Abate defende o fim imediato do comércio global de peles de jumento, a adoção de alternativas sustentáveis para o ejiao e o fortalecimento de políticas públicas para proteger comunidades vulneráveis. Entre as medidas sugeridas estão o veto à exportação de peles, a repressão ao tráfico ilegal de animais, a recusa no transporte dessas cargas por companhias aéreas e marítimas, e a promoção de tecnologia como a agricultura celular para substituir a matéria-prima animal.

Informações para assinar e compartilhar a campanha estão disponíveis em www.fimdoabate.com.br