Capa do estudo: Caminhos para uma Atuação Mais Ampla e Estratégica da Filantropia Familiar no Brasil.

Estudo apresenta caminhos para uma filantropia familiar mais estratégica e com impacto no Brasil

Susana Sarmiento

Editora do Kantuta Comunica

O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), com apoio de organizações parceiras, lançou o estudo Caminhos para a Filantropia Familiar no Brasil, que traça um panorama atual do setor no país e propõe estratégias para ampliar seu impacto. A partir de entrevistas com filantropos e especialistas, além de levantamento de dados e revisão bibliográfica, o relatório evidencia o potencial da filantropia familiar de atuar com ousadia e visão sistêmica em causas sociais, ambientais e culturais — especialmente aquelas que ainda enfrentam invisibilidade ou resistência do campo corporativo.

Entre as principais descobertas , destaca-se a contradição entre o crescimento acelerado da concentração de riqueza no Brasil e o tímido avanço das doações familiares de alto patrimônio. Apesar do interesse crescente em causas como justiça social, sustentabilidade e redução das desigualdades, a filantropia familiar brasileira ainda é marcada por baixa articulação entre pares, receio de exposição pública, desconfiança nas organizações da sociedade civil e escassez de incentivos fiscais. O estudo aponta que muitos filantropos ainda preferem operar projetos próprios, o que pode dificultar o fortalecimento do ecossistema filantrópico e limitar o alcance transformador das ações.

A pesquisa também revela que a motivação para doar vai além da caridade pontual e envolve cada vez mais o desejo de gerar mudanças estruturais. Filantropos escutados citam o incômodo com os próprios privilégios e a urgência de promover soluções de longo prazo. Essa mudança de mentalidade tem impulsionado a transição de uma lógica reativa para uma filantropia estratégica, baseada em planejamento, foco temático, maior disposição ao risco e conexão com políticas públicas. No entanto, ainda há desafios importantes de governança, sucessão geracional e construção de confiança entre doadores e organizações parceiras.

Para isso, o relatório propõe um Mapa Estratégico, que inclui ações como letramento da mídia sobre filantropia, formação de advisors, fomento à nova geração de doadores e fortalecimento institucional das OSCs. Além disso, recomenda-se a articulação de capital financeiro, político e intelectual, bem como o diálogo com o Estado para gerar impacto sistêmico e duradouro. A criação de redes colaborativas entre famílias, fundações e iniciativas já existentes é vista como essencial para transformar a cultura de doação no país.

A publicação reforça que ampliar a filantropia familiar no Brasil exige coragem, reflexão e compromisso com o coletivo. Mais do que doações pontuais, trata-se de assumir a responsabilidade pelo presente e pelo futuro do país, reconhecendo o poder de mobilização que cada indivíduo e família detém, não apenas por seus recursos, mas por sua influência, tempo e conexões. A transformação, como afirma o relatório, não será feita por poucos.