Novo livro de Luiz Marques, livre-docente da Unicamp, demonstra responsabilidade e possibilidades para o Brasil na crise climática mundial

Está lançado desde sábado o mais novo livro de Luiz Marques, intitulado Ecocídio. Por uma (agri)cultura da vida. Marques é Professor universitário, livre-docente do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estudioso, nas últimas duas décadas, de crises socioambientais. Em 2016, recebeu o prêmio Jabuti pelo livro Capitalismo e colapso ambiental e agora, nove anos depois, traz uma nova leitura sobre o que chama de “aniquilação da biosfera” – reforçando que não é exagero usar o termo “aniquilação”. “O processo em curso mais ameaçador para a vida no planeta, e, portanto, também para a vida humana é, paradoxalmente, muito pouco noticiado pelos jornais. Trata-se do processo de aniquilação da biosfera, atualmente em aceleração. Não há exagero no uso do termo aniquilação. Em toda a história das civilizações humanas razoavelmente bem documentadas, digamos, nos últimos dez mil anos, as florestas tropicais do planeta e os oceanos mantiveram-se, com poucas exceções, relativamente íntegros em termos de funcionalidade e riqueza biológica. Mas, desde meados do século passado, com a atividade econômica destruindo a natureza em uma escala e velocidade sem precedentes na história humana, o planeta está sofrendo a Sexta Extinção em Massa de Espécies, caracterizada por taxas de extinção entre cem e dez mil vezes maiores do que as taxas de base, inferidas pelos registros fósseis.*[1]” Luiz Marques, em descrição feita sobre sua obra para este lançamento Com a proximidade da realização da Conferência do Clima no Brasil (COP-30), com as diversas disputas e polêmicas hiperbolizadas sobre o evento, não sem coincidência relacionadas à tramitação acelerada e sanção, com vetos parciais, do Projeto de Lei 2.159/2021, apelidado “PL da Devastação”, a relevância e atualidade da obra são ainda mais reforçadas. Sâmia Bonfim, deputada federal por São Paulo (PSOL), afirmou no lançamento não ter dúvidas sobre a correlação dos recentes eventos de boicote ao Congresso Nacional e crescente lobbies pela sanção, sem vetos, do PL da Devastação. “Não é à toa que esses acontecimentos se alinhem ao tempo desta crise do governo Trump com o Brasil, dado que evidentemente se trata de uma quantidade de parlamentares de um nicho agrogolpista, norteado por acordos feitos por sua base com grandes capitais norte-americanos”, afirmou a parlamentar. Também presentes como debatedores estavam o geógrafo Allan de Campos, membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva: Abrasco (Abrasco), que detalhou desdobramentos da crise socioambiental nas condições de saúde de trabalhadores e demais residentes nos territórios afetados pela degradação em alta escala de grandes empresas, e Kallen Katia, engenheira agrônoma, representante do MST, que descreveu alguns detalhes do modelo de produção agroecológico, pesquisado e retratado por Luiz Marques em seu livro. “O Brasil conta hoje com o pior e o melhor dos modelos agrícolas do mundo, só precisaria inverter a escolha feita. O modelo extensivo de agropecuária, combinando vastas extensões de terra para uma e para outra prática, de forma sucessiva, é responsável pela alta emissão de gases de efeito estufa e pela degradação de elementos como a terra e a água, enquanto, por outro lado, o modelo de agroecologia, hoje aplicado e replicado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é capaz de produzir uma diversidade alimentar suficiente para garantir a segurança alimentar da população, enquanto ainda tem um potencial de restauração da terra e demais elementos da biodiversidade”. Luiz Marques, em fala de encerramento no lançamento de “Ecocídio” O Brasil e o crime de ecocídio Segundo Marques, o Brasil está no centro da aniquilação da biosfera. O país encabeça a lista dos únicos 17 países do planeta considerados biologicamente megadiversos em espécies endêmicas. É a nação biologicamente mais rica do mundo. Mas, ao mesmo tempo, desde 1970, é a que mais rapidamente tem destruído a riqueza sem rival de sua fauna, de sua flora e de seus solos, bem como a abundância de suas águas. Apenas na parte brasileira da Amazônia, e apenas desde 1970, mais de 870 mil km2 dessa floresta já foram eliminados. Isso equivale a uma área 3,5 vezes maior do que a área do estado de São Paulo. E o maior responsável por toda essa destruição é o agronegócio, uma atividade que nada tem a ver com o direito humano à segurança alimentar e com a atividade genuína dos pequenos e médios agricultores. Como demonstra Marques, o Brasil é, em suma, o país ao qual mais diretamente se aplica o conceito de crime de ecocídio. Em junho de 2021, o Painel de Especialistas Independentes para a Definição Legal de Ecocídio, convocado pela Stop Ecocide Foundation, elaborou uma descrição juridicamente formal do ecocídio nestes termos: “ecocídio significa atos ilegais ou irresponsáveis cometidos com conhecimento de que há uma probabilidade substancial de danos graves, generalizados ou duradouros, ao meio ambiente, causados por esses atos”.*[2] O processo de efetiva criminalização da conduta de ecocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) foi interrompido por negociações pouco transparentes, restando prioritárias as responsabilizações penais de agentes de Estado por crimes de guerra e pelos genocídios reconhecidos pela corte. O livro Ecocídio. Por uma (agri)cultura da vida, de Luiz Marques, tem por objetivo dar maior evidência ao fato de que o modelo socioeconômico agroexportador está inviabilizando a sociedade brasileira. Esse modelo é, no Brasil, o maior responsável pela atual catástrofe climática, biológica, social e sanitária que já começa a assolar nossas cidades. De onde se depreende a necessidade imperativa de superar o modelo agroexportador por outro modelo, baseado na democratização da terra e na produção de alimentos genuínos, livres de agrotóxicos, próximos ao consumidor e geradores de segurança alimentar e prosperidade. Mais informações sobre o autor Luiz Marques é professor Livre Docente aposentado e colaborador do Depto. de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi curador-chefe do Museu de Arte de São Paulo (1995-1997). Dedica-se há 20 anos a pesquisas sobre as crises socioambientais contemporâneas. Em 2018, foi professor convidado na Universidade de Leiden, Holanda (2018) e entre 2021 e 2024 foi professor sênior da Ilum Escola de Ciência do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais
Lançamento de livro debate o crime de Ecocídio no Brasil

Neste sábado (9), às 16h, a Livraria Expressão Popular, em São Paulo, recebe o lançamento de Ecocídio. Por uma (agri)cultura da vida. Por uma (agri)cultura da vida, novo livro de Luiz Marques, professor livre-docente aposentado da Unicamp e vencedor do Prêmio Jabuti. A obra analisa a destruição acelerada da biodiversidade e aponta o agronegócio como principal responsável pela crise ambiental, defendendo mudanças estruturais no modelo agroexportador. O evento contará com debate entre o autor, a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), o geógrafo Allan de Campos (ABRASCO) e a engenheira agrônoma Kallen Katia. Marques argumenta que o Brasil, embora seja o país mais rico em biodiversidade do mundo, lidera a devastação de seus ecossistemas, enquadrando-se no conceito internacional de crime de ecocídio. O lançamento ocorre na sede da Editora e Livraria Expressão Popular (Alameda Nothmann, 806, Campos Elíseos, São Paulo – SP). A entrada é gratuita e haverá sessão de autógrafos.
Campanha denuncia crueldade do comércio de peles de jumentos e seus impactos negativos para mulheres e crianças na África

A campanha Fim do Abate, lançada pela organização The Donkey Sanctuary, mostra uma realidade cruel que afeta silenciosamente milhões de mulheres, crianças e animais em todo o mundo: o comércio internacional de peles de jumento para a produção de ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa. A campanha visa mobilizar governos, empresas e consumidores para pôr fim a essa prática devastadora que compromete os direitos humanos, a sustentabilidade e o bem-estar animal. Segundo o relatório Jumentos Roubados, Futuros Roubados, ao menos 5,9 milhões de jumentos são abatidos anualmente para atender à demanda global de ejiao, cujo mercado movimenta mais de 6 bilhões de dólares. O principal destino das peles é a China, onde o produto é promovido como um elixir para juventude e vitalidade. Contudo, o impacto dessa indústria vai muito além do mercado de cosméticos e suplementos. Para muitas famílias na África Subsaariana, sobretudo lideradas por mulheres, o jumento é um parceiro essencial de trabalho: carrega água, lenha, colheitas e até crianças para a escola. Quando um jumento é roubado ou abatido, as consequências são imediatas e devastadoras: queda brusca de renda familiar, abandono escolar — especialmente entre meninas —, aumento do trabalho físico e emocional das mulheres e exposição à pobreza extrema. A pesquisa de campo citada no relatório revela que até 97% das mulheres entrevistadas em regiões do Quênia relataram ter perdido seus jumentos para essa indústria. A renda dessas famílias chegou a cair até 73%. Também evidencia que essa prática agrava desigualdades de gênero, impede o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e compromete o conceito de One Welfare — uma abordagem que integra o bem-estar humano, animal e ambiental. Além disso, o transporte e o abate ilegais de jumentos representam sérios riscos sanitários globais, com potencial para desencadear novas pandemias. A campanha Fim do Abate defende o fim imediato do comércio global de peles de jumento, a adoção de alternativas sustentáveis para o ejiao e o fortalecimento de políticas públicas para proteger comunidades vulneráveis. Entre as medidas sugeridas estão o veto à exportação de peles, a repressão ao tráfico ilegal de animais, a recusa no transporte dessas cargas por companhias aéreas e marítimas, e a promoção de tecnologia como a agricultura celular para substituir a matéria-prima animal. Informações para assinar e compartilhar a campanha estão disponíveis em www.fimdoabate.com.br
Kantuta Comunica no Smart Cities 2024

Entre os dias 3 e 4 de setembro, a Kantuta Comunica marcou presença em um dos principais eventos de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil, o Smart Cities. Durante o evento, foram reconhecidas 44 cidades com o Selo Connected Smart Cities 2024, que premia boas práticas e avanços no desenvolvimento urbano inteligente. A iniciativa é promovida pela Plataforma Connected Smart Cities e pela Spin – Soluções Públicas Inteligentes, com o objetivo de incentivar a inovação e soluções tecnológicas sustentáveis nos municípios brasileiros. Florianópolis (SC) conquistou o primeiro lugar no ranking geral e também na categoria de cidades com população acima de 500 mil habitantes. Vitória (ES) ficou em segundo lugar, destacando-se na região Sudeste e entre as cidades com população entre 100 e 500 mil habitantes. São Paulo ocupou a terceira posição geral e se destacou na categoria de mobilidade e acessibilidade. Curitiba ficou em quarto lugar, sendo reconhecida por sua tecnologia e inovação, enquanto Niterói foi a quinta colocada, liderando o tema de governança. Camboriú ficou em sexto lugar no ranking geral e se destacou em meio ambiente. São Caetano do Sul (SP) ocupou a sétima posição e foi reconhecida na categoria educação, com seu representante ressaltando a importância da trilha de conhecimento nas escolas públicas e a oferta de vagas em 16 EMEIs. A entrega do Prêmio Connected Smart Cities 2024, realizada no segundo dia do evento, celebrou sua 10ª edição. Com a parceria da Neurônio – Ativação de Negócios e Causas, o prêmio reconheceu iniciativas inovadoras em duas categorias: Negócios Pré-Operacionais, voltada para soluções em fase de testes, e Negócios em Operação, destinada a projetos já implementados. Na categoria Pré-Operacionais, o vencedor foi Mobway, uma plataforma de big data de veículos conectados, seguido pelo Smart Cities de Brasília (DF) e pela DMB Tratamento de Efluentes e Resíduos, com seu projeto de adubo orgânico e aterro zero. Em Negócios em Operação, o grande vencedor foi o Dara, uma inteligência artificial para cidades inteligentes e gestões eficientes, desenvolvido pelo IPM Sistemas. Jovens Gênios e Place foram os segundos e terceiros colocados, respectivamente. Outro destaque da cerimônia de abertura foi a entrega da Certificação ISO/ABNT 37.123 de cidades resilientes à cidade de Salvador (BA).