Conferência Ethos 360º discute o futuro sustentável e inclusivo nas organizações

A abertura do evento contou com a presenta da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, na mesa de abertura Lançamento do Perfil Social, Racial e de Gênero das 1100 maiores empresas do Brasil, com Ana Luisa Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos, Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, e Patrícia Pavanelli, diretora da área de opinião pública e política na Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC), nos dias 18 e 19 de setembro, no Pavilhão Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Realizado desde 2001, esse estudo foca em compreender as questões de diversidade nas grandes empresas brasileiras. Nesta edição, inclui a identidade de gênero e a orientação sexual dos empregados e empregadas e suas diferentes interseccionalidades. Nota-se um aumento de consciência das principais lideranças executivas reconhecendo que há uma baixa representantividade de mulheres, pessoas negras, com deficiência e LGBTI+ em diferentes níveis hierárquicos. No patamar gerencial, aumento ainda mais essa percepção de que a proporção desses grupos está abaixo do que deveria, ocorrendo um afunilamento hierárquico. O “padrão na sociedade: homem branco, sem deficiência, 45 anos ou mais provavelmente cis e heterossexual. E o perfil menos presente: mulher, negra ou indígena, com deficiência e LGBTI+. Com o tema central “Rumo a um Futuro Sustentável e Inclusivo”, o evento reuniu líderes empresariais, representantes de ministérios e secretarias, pesquisadores e ativistas para debater e apresentar práticas para fortalecer as mudanças positivas na sociedade e meio ambiente. Além do estudo, o evento reuniu debates sobre investimento social privado no Brasil, mudanças climáticas, transição energética, economia circular, responsabilidade corporativa, assédios e ações de compliance, o uso de inteligência artificial no combate das desigualdades, defesa de direitos e inovação social. Na mesa Direitos Humanos e Empresas: uma discussão sobre a promoção da dignidade humana nas práticas de diversidade, equidade e inclusão, especialistas de grandes organizações refletiram sobre a importância de como as pessoas estão atuando no mercado de trabalho e o que elas procuram hoje: equilíbrio de tarefas e serem felizes fazendo trabalho com propósito. “Nosso trabalho tem que ter sentido”, afirma Scarlet Rodrigues, coordenadora de Projetos do Instituto Ethos. Já Viviane Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, refletiu sobre a diversidade e potência da inclusão. ” Desde o começo da vida, somos expostos há um modelo tirando nossa potência e interditando nosso livre desenvolvimento. Sem acesso direito não conseguimos desenvolver nosso potencial. Temos uma tarefa para indivíduos, Estado e setor corporativo. Nosso começo da tarefa é ampliar o conceito de humanas”, afirma.

Plataforma analisa leis, políticas de doação de alimentos no mundo e indica recomendações de reaproveitamento de alimentos

Mais de 61,3 milhões de pessoas no Brasil convivem com algum grau de insegurança alimentar, e 42% dos alimentos produzidos no país são perdidos entre a colheita e o varejo a cada ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Esses dados foram discutidos no Seminário Internacional “Sistemas Alimentares: Oportunidades para Combater a Fome e o Desperdício no Brasil”, realizado em 6 de agosto, em comemoração aos 30 anos do programa Sesc Mesa Brasil, um dos maiores bancos de alimentos da América Latina. Durante o evento, também foi lançado o Atlas Global de Política de Doação de Alimentos (https://atlas.foodbanking.org/map/), uma pesquisa desenvolvida pela Global FoodBanking Network (GFN) e pela Harvard Law School, em parceria com o Sesc. O seminário promoveu debates sobre a situação da insegurança alimentar no Brasil e no mundo, além de possíveis soluções para combater a fome e o desperdício. Mariana Meirelles Ruocco, nutricionista e gerente da Gerência de Alimentação e Segurança Alimentar do Sesc São Paulo, destacou a importância do evento: “Este seminário internacional proporcionou uma troca de reflexões entre diversos públicos sobre uma pauta essencial. O Brasil sempre conviveu com a fome, e, quando o Sesc Mesa Brasil foi criado em 1994, acreditávamos que seria um programa de curta duração, pois não imaginávamos que a fome ainda persistiria nos dias de hoje”, afirmou. O Atlas Global de Política de Doação de Alimentos reúne leis e políticas de doação de alimentos em diversos países, oferecendo recomendações para fortalecer essas estruturas e incentivar o reaproveitamento de alimentos, combatendo a fome. A pesquisa abrange 24 países e apresenta mecanismos valiosos para bancos de alimentos e iniciativas correlatas, como sistemas de rotulagem dupla, subsídios fiscais para doações e multas para empresas que destinam alimentos para aterros sanitários. Gray Norton, advogada e pesquisadora sênior da Harvard Law School Food and Policy Clinic (FLPC), apresentou o Atlas e seus principais insights, destacando as diferentes abordagens adotadas pelos países em relação à segurança alimentar, rotulagem, proteção de responsabilidade para doações e incentivos fiscais. Ela explicou que as classificações variam de “moderada” a “forte” e ofereceu recomendações para melhorar as estruturas existentes, além de incentivar a colaboração internacional. “Todos os países podem abordar essas questões de maneiras distintas. No Reino Unido, por exemplo, há uma política forte de rotulagem de datas, mas nos EUA, essa política não existe. Já o Brasil possui uma lei de proteção contra responsabilidades, mas é necessário aumentar a conscientização sobre essa política”, comentou Gray. Ela incentivou gestores de iniciativas de combate à fome a explorar o site do Atlas e comparar as políticas entre diferentes países, a fim de impulsionar a conscientização e colaboração global nessa pauta. “Entender essas políticas é essencial para promover as mudanças que buscamos, pois esse é um esforço coletivo”, acrescentou. No painel “Política de Doação de Alimentos: um caminho para reduzir a perda e o desperdício e aliviar a fome”, o professor Carlos Portugal Gouvêa, da Universidade de São Paulo e Harvard Law School, destacou a disparidade econômica do Brasil, um dos maiores produtores de carne do mundo, mas que também enfrenta altos índices de desperdício alimentar. Ele discutiu políticas públicas relacionadas à segurança alimentar e nutricional, e compartilhou resultados de uma pesquisa realizada com seus alunos na região de Parelheiros, em São Paulo, que revelou a fome entre crianças, idosos e famílias de baixa renda, apesar da existência de programas como o Bom Prato. “Muitas dessas pessoas não conseguem acessar esses restaurantes populares devido ao custo do transporte”, observou o professor. Site: https://atlas.foodbanking.org/map/