Tecnologias para promoção da parentalidade positiva: estudo de casos

O estudo sobre o Uso de Tecnologias para a Promoção da Parentalidade Positiva e do Desenvolvimento Infantil no Brasil apresenta ferramentas digitais que fortalecem a pauta da primeira infância e sintetiza as principais descobertas discutidas na Reunião Técnica, realizada em 7 de novembro de 2024, promovida pelo Banco Mundial e pela United Way Brasil (UWB, em parceria com a Universidade Harvard, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Fundação Van Leer. Esta publicação traz práticas e uma análise das formas como a tecnologia pode ser aliada para o debate na pauta de parentalidade. Essas iniciativas latino-americanas criaram e usam soluções tecnológicas para aperfeiçoar o alcance de políticas públicas e apoiar cuidadores em contextos diversos. São aplicativos, vídeos educativos, mensagens por WhatsApp e plataformas de capacitação com potencial para oferecer conteúdos de qualidade sobre práticas parentais, estimulando vínculos afetivos, desenvolvimento cognitivo e bem-estar das crianças. Entre as experiências apresentadas, estão: Afini, um chatbot com inteligência artificial que sugere atividades para pais e responsáveis realizarem com as crianças; o Crescer Aprendendo que articula oficinas com redes de apoio híbridas com grupos online e mentorias; a Jornada Online Primeira Infância (JOPI), uma trilha formativa voltada para apoiar o serviço de visitação domiciliar do Programa de Primeira Infância no Sistema Único de Assistência Social – Criança Feliz (SUAS) com capacitação online de profissionais; Nelson, o Nenê, um personagem que traz conteúdos para sensibilizar e apoiar famílias e cuidadores de crianças na primeira infância sobre promoção do cuidado e desenvolvimento infantil; Pé de Infância e FAMÍLIA+ combinam atividades presenciais em grupo com conteúdos digitais voltados para cuidadores; Triagem e Estimulação do Desenvolvimento Infantil (TEDI) e o Programa de Parentalidade da FMUSP, que combinam atendimento remoto e conteúdos interativos. Todas as iniciativas possuem parcerias com organizações da sociedade civil e a maioria com órgãos públicos. A publicação também compartilha os principais aprendizados, pontuando em cada desafio as saídas sugeridas e as estratégias de desenvolvimento contínuo das tecnologias e do monitoramento de resultados para a adaptação do produto às necessidades das famílias. O relatório ressalta o fortalecimento de parcerias entre governos, especialistas, organizações sociais e o setor tecnológico para desenvolver soluções baseadas em evidências, acessíveis e escaláveis. Ressalta ainda a importância de avaliar os impactos dessas iniciativas com rigor e de assegurar que estejam centradas nas necessidades das famílias. O uso estratégico de tecnologias, quando integrado às políticas públicas, pode se tornar um poderoso aliado na promoção do cuidado responsivo e do desenvolvimento integral das crianças brasileiras desde os primeiros anos de vida. Acesse aqui o estudo na íntegra.
O que pensam as pessoas sobre o uso de IA por ONGs

O uso de inteligência artificial (IA) por organizações não governamentais (ONGs) é um tema que desperta interesse global. Esse foi o tema central da pesquisa realizada pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O levantamento, que ouviu mais de seis mil pessoas de 10 países, incluindo o Brasil, revelou otimismo em relação às possibilidades que a IA pode trazer, mas também destacou preocupações importantes. Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados acreditam que os benefícios da IA superam os riscos potenciais, enquanto 22% pensam o contrário. As principais oportunidades associadas ao uso da tecnologia incluem: Por outro lado, os principais riscos identificados foram: De forma geral, a maioria dos participantes avalia que as oportunidades superam os riscos: 34% acreditam que ambos se equilibram, enquanto 25% enxergam mais oportunidades. Em países de baixa e média renda, o otimismo é ainda maior. No Quênia, por exemplo, 44% das pessoas veem mais benefícios. Já na Austrália, foi o único país onde a maioria considerou que os riscos superam as oportunidades, com saldo de -4%. A capacidade da IA de permitir respostas mais rápidas e direcionadas foi destacada como a oportunidade mais esperada e outros benefícios apontados foram: Apesar disso, há preocupações relevantes: Esses resultados mostram que o público espera transparência e cautela das ONGs no uso da IA. Em especial, doadores de maior valor tendem a observar mais atentamente como as organizações aplicam a tecnologia para cumprir suas missões. Para a CAF, a pesquisa também reforça que os países de baixa e média renda enxergam melhor as oportunidades do uso de IA em ONGs, especialmente no impacto humano positivo, como ajudar mais pessoas e responder a desastres. A pesquisa completa pode ser acessada no site da CAF.
Pesquisa Olhares do ISP: avanços, desafios e oportunidades

O GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) lançou recentemente a pesquisa qualitativa Olhares do ISP, que analisa os avanços, desafios e oportunidades do segmento de Investimento Social Privado (ISP) no Brasil. O estudo aborda temas como diversidade, justiça social, cultura de doação, transparência e estratégias para ampliação do impacto social no país. Principais pontos da pesquisa GovernançaA pesquisa apresenta um panorama geral sobre o ISP, destacando a evolução do setor no Brasil e trazendo uma cronologia de seu fortalecimento. Entre os avanços mencionados, destacam-se maior profissionalização, aumento do número de pessoas interessadas em gerar impacto social transformador e maior diversidade nas formas de atuação. Por outro lado, foram identificados desafios importantes, como as desigualdades nos espaços de tomada de decisão e a concentração de recursos em áreas ou regiões específicas. Atuação do ISP Os temas mais abordados pelos associados ao GIFE incluem educação, cultura e juventudes. Apesar de abordagens transversais, a maioria dos projetos foca na capacitação para o mercado de trabalho.As questões ambientais também foram destacadas como prioridade para os próximos anos, especialmente no contexto da mitigação da crise climática e no enfrentamento dos impactos da emergência ambiental, como o acesso à água. Cultura de doação Um dos consensos do estudo é a ausência de uma cultura de doação consolidada no Brasil. Foram apontados três principais fatores para esse cenário: dificuldade em superar interesses individuais em prol do bem comum; comparação com países do Norte Global, onde o investimento filantrópico é mais consolidado, como os Estados Unidos; falta de conhecimento sobre o ISP e seu impacto no Brasil, sendo que muitas pessoas ainda confundem filantropia com caridade. Para reverter esse quadro, as lideranças sugerem: sensibilizar gestores e investidores para a prática de doação; oferecer oportunidades concretas e informações para aplicação de recursos; aumentar a incidência do tema na mídia, promovendo informações sobre o ISP; e avançar com incentivos legislativos para doação, como impostos sobre grandes fortunas e heranças. Transparência O GIFE disponibiliza o Painel de Transparência, uma ferramenta que organiza e compartilha informações institucionais de seus associados por meio de indicadores. O painel permite verificar se as organizações publicam informações relevantes em seus sites, com acesso direto por meio de links. Acesse o Painel aqui. Quer acessar a pesquisa Olhares do ISP? Visite o site do GIFE neste link.
Mapa da Desigualdade de São Paulo 2024

Nesta última quarta-feira (27/11), a Rede Nossa São Paulo lançou o Mapa da Desigualdade de São Paulo 2024 no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Com 10 indicadores de 96 distritos da capital paulista, o estudo avalia: saúde, habitação, trabalho e renda, mobilidade, direitos humanos, cultura, esportes, infraestrutura digital, segurança pública e meio ambiente. O levantamento traz a oferta de serviços e infraestrutura urbana em cada distrito da cidade, com dados para comprovar a qualidade de vida da população nessas regiões. Nesta edição, o estudo contou com uma série histórica do indicador Idade Média ao Morrer, com dados de 2006 a 2023. Essa análise traz uma evolução da média geral da cidade e os dados dos distritos com melhor e pior desempenho: Alto de Pinheiros (82 anos) e Anhanguera (58 anos). Na média geral, os moradores da capital vivem seis anos a mais do que há 17 anos. Outros dados relevantes do estudo: – A proporção estimada de domicílios em favelas em relação ao total de domicílios: 10 distritos não possuem nenhum domicílio em favela (Alto de Pinheiros, Perdizes, Jardim Paulista, Moema, Bela Vista, Sé, República, Consolação, Cambuci e Bom Retiro). Já Vila Andrade possui 35% dos domicílios. – O tempo médio de deslocamento por transporte público: calculado em minutos no pico da manhã – uma média ponderada do tempo de viagem estimado das viagens feitas pelos usuários em cada distrito: 25 minutos em Pinheiros e 71 minutos em Marsilac. – Equipamentos públicos de cultura: proporção de equipamentos públicos de cultura (municipais) para cada cem mil habitantes por distrito: República com 25% e 0% em Jaguara, Belém, Jardim Paulista, Barra Funda, Campo Grande, Vila Leopoldina, Jaguaré, Saúde, Perdizes, Santa Cecília, Cambuci, Campo Belo, Ponte Rasa,Vila Andrade, Vila Sônia, Aricanduva, Vila Medeiros, Cidade Dutra, Brás, Rio Pequeno, Marsilac, Iguatemi, Vila Matilde e Pedreira. Estudo completo aqui.
Kantuta Comunica no Smart Cities 2024

Entre os dias 3 e 4 de setembro, a Kantuta Comunica marcou presença em um dos principais eventos de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil, o Smart Cities. Durante o evento, foram reconhecidas 44 cidades com o Selo Connected Smart Cities 2024, que premia boas práticas e avanços no desenvolvimento urbano inteligente. A iniciativa é promovida pela Plataforma Connected Smart Cities e pela Spin – Soluções Públicas Inteligentes, com o objetivo de incentivar a inovação e soluções tecnológicas sustentáveis nos municípios brasileiros. Florianópolis (SC) conquistou o primeiro lugar no ranking geral e também na categoria de cidades com população acima de 500 mil habitantes. Vitória (ES) ficou em segundo lugar, destacando-se na região Sudeste e entre as cidades com população entre 100 e 500 mil habitantes. São Paulo ocupou a terceira posição geral e se destacou na categoria de mobilidade e acessibilidade. Curitiba ficou em quarto lugar, sendo reconhecida por sua tecnologia e inovação, enquanto Niterói foi a quinta colocada, liderando o tema de governança. Camboriú ficou em sexto lugar no ranking geral e se destacou em meio ambiente. São Caetano do Sul (SP) ocupou a sétima posição e foi reconhecida na categoria educação, com seu representante ressaltando a importância da trilha de conhecimento nas escolas públicas e a oferta de vagas em 16 EMEIs. A entrega do Prêmio Connected Smart Cities 2024, realizada no segundo dia do evento, celebrou sua 10ª edição. Com a parceria da Neurônio – Ativação de Negócios e Causas, o prêmio reconheceu iniciativas inovadoras em duas categorias: Negócios Pré-Operacionais, voltada para soluções em fase de testes, e Negócios em Operação, destinada a projetos já implementados. Na categoria Pré-Operacionais, o vencedor foi Mobway, uma plataforma de big data de veículos conectados, seguido pelo Smart Cities de Brasília (DF) e pela DMB Tratamento de Efluentes e Resíduos, com seu projeto de adubo orgânico e aterro zero. Em Negócios em Operação, o grande vencedor foi o Dara, uma inteligência artificial para cidades inteligentes e gestões eficientes, desenvolvido pelo IPM Sistemas. Jovens Gênios e Place foram os segundos e terceiros colocados, respectivamente. Outro destaque da cerimônia de abertura foi a entrega da Certificação ISO/ABNT 37.123 de cidades resilientes à cidade de Salvador (BA).
Seminário debate segregação nas carreiras, políticas públicas de incentivo e igualdade de gênero na educação

No auditório do Centro MariAntonia da USP, educadores, representantes de institutos, organizações da sociedade civil e pesquisadores discutiram caminhos para uma educação mais diversa e inclusiva durante o Seminário Gênero e Políticas Educacionais no dia 11 de novembro. Promovido por Ação Educativa, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Fundação Carlos Chagas, Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e Professores contra o Escola Sem Partido, o evento também apresentou uma pesquisa sobre gênero nas políticas educacionais. Desafios de gênero na educação Na mesa Desafios de Gênero na Educação, Liliane Bordignon, da Fundação Carlos Chagas, apresentou dados do Mapa das Matrículas Iniciais na Educação Profissional Técnica de Nível Médio no Brasil: diferenças de gênero nos cursos técnicos. Segundo o levantamento, 57% das matrículas são de mulheres e 43% de homens. Entre os cursos analisados, Enfermagem lidera com 55 mil matrículas a mais que Administração. Estética, Podologia e Imagem Pessoal possuem maior participação feminina, enquanto Informática, Eletrotécnica e Mecânica são dominados por homens. “Jovens negras enfrentam uma ausência de perspectiva de carreira, além do peso do trabalho doméstico e a concentração em nichos menos valorizados”, destacou Liliane, defendendo políticas públicas que combatam as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Raça, classe e interseccionalidade Bárbara Araújo, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, discutiu o tema Desigualdade entre as Mulheres: Gênero, Raça e Interseccionalidade. Para ela, as políticas públicas precisam ser integradas, considerando as múltiplas dimensões das identidades. “A identidade está conectada à classe social. Ao falar de trabalho e raça, precisamos incluir as vivências de pessoas trans, negras e precarizadas”, afirmou. Experiências educativas de pessoas trans Dayanna Louise, da ANTRA, compartilhou a história de Brenda, uma mulher trans que teve sua principal formação educacional fora da escola. Expulsa do sistema educacional aos 13 anos, ela encontrou na prostituição um espaço de aprendizado, onde adquiriu habilidades como idiomas e conhecimentos sobre saúde. “A rua foi a melhor escola que tive”, relembra. Meninos negros como sujeitos de políticas públicas Alexandre Bortolini, presidente da ABETH, apresentou resultados preliminares do estudo Meninos Negros como Sujeitos de Políticas Públicas de Educação. Ele apontou a exclusão desse grupo das ações educativas desde os anos 1990. “As políticas curriculares e de aceleração da aprendizagem geralmente ignoram meninos negros. Há lacunas na educação para relações étnico-raciais. No campo progressistas, somos considerados exagerados. A produção e o uso de dados educacionais desde 1990 ainda têm problemas, em especial dados sobre estudantes. Precisaríamos resgatar o IDEB para checar as assimetrias que existem e acompanhar as estratégias que irão levar alunos de avaliação e remover do ensino regular para uma juvenilização do EJA (Educação de Jovens e Adultos)”, avalia o comunicador social. Alexandre também disponibilizou gratuitamente seu livro É para falar de gênero SIM! – Fundamentos legais e científicos da abordagem de questões de gênero na educação .