Oxfam propõe agenda pública para enfrentar desigualdade e crise da dívida global

A Oxfam Internacional produziu o relatório Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não a Oligarquia, em que denuncia o fracasso da atual abordagem do financiamento ao desenvolvimento, marcada pela priorização de interesses privados e pelo aprofundamento das desigualdades. Lançado no final de junho, antes da Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento, ocorrida entre os dias 30 de junho a 3 de julho, em Sevilha (Espanha), um encontro para discutir a implementação da Agenda 20230 e discutir a agenda de financiamento global e avanço nos objetivos de desenvolvimento sustentável. A publicação mostra o descompasso entre o crescimento da riqueza privada e a estagnação de metas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em 2024, apenas 16% das metas estavam em vias de serem cumpridas até 2030, enquanto o 1% mais rico acumulou mais de 33 trilhões de dólares desde 2015 — valor suficiente para erradicar a pobreza global 22 vezes. A pesquisa aponta também a ineficácia da estratégia conhecida como Consenso de Wall Street, que tem orientado instituições multilaterais a mobilizar o setor privado para financiar o desenvolvimento. Em 2023, apenas 87,9 bilhões de dólares foram destinados a países de baixa e média renda, com uma parcela mínima chegando aos países mais pobres. Além de ineficiente, essa prática tem sido mais onerosa aos cofres públicos e ampliado a exclusão social, agravando a precarização dos serviços essenciais. Outro destaque do relatório é o papel dos credores privados na intensificação da crise da dívida. Países de baixa renda gastam mais da metade de sua receita com o serviço da dívida e enfrentam práticas abusivas de fundos especulativos, como os chamados fundos abutres. Além disso, classificações de risco inflacionadas por agências privadas elevam artificialmente os juros pagos pelos países do Sul Global, causando perdas bilionárias em investimentos e desenvolvimento. Por causa deste cenário alarmante, a Oxfam sugeriu no relatório uma nova agenda a ser debatida nessa Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento. As recomendações incluem a rejeição do modelo centrado no lucro privado, o fortalecimento do papel dos Estados no financiamento e na provisão de serviços públicos, a taxação justa dos super-ricos, a reforma da arquitetura financeira internacional e o cumprimento dos compromissos de ajuda internacional pelos países do Norte Global. O relatório conclui que o modelo vigente não está conseguindo enfrentar a pobreza e a desigualdade e propõe uma mudança urgente de paradigma. A organização defende uma economia que coloque o bem público no centro das decisões financeiras, com Estados protagonistas no desenvolvimento e uma distribuição mais justa dos recursos globais. Acesse aqui a publicação na íntegra.
Campanha denuncia crueldade do comércio de peles de jumentos e seus impactos negativos para mulheres e crianças na África

A campanha Fim do Abate, lançada pela organização The Donkey Sanctuary, mostra uma realidade cruel que afeta silenciosamente milhões de mulheres, crianças e animais em todo o mundo: o comércio internacional de peles de jumento para a produção de ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa. A campanha visa mobilizar governos, empresas e consumidores para pôr fim a essa prática devastadora que compromete os direitos humanos, a sustentabilidade e o bem-estar animal. Segundo o relatório Jumentos Roubados, Futuros Roubados, ao menos 5,9 milhões de jumentos são abatidos anualmente para atender à demanda global de ejiao, cujo mercado movimenta mais de 6 bilhões de dólares. O principal destino das peles é a China, onde o produto é promovido como um elixir para juventude e vitalidade. Contudo, o impacto dessa indústria vai muito além do mercado de cosméticos e suplementos. Para muitas famílias na África Subsaariana, sobretudo lideradas por mulheres, o jumento é um parceiro essencial de trabalho: carrega água, lenha, colheitas e até crianças para a escola. Quando um jumento é roubado ou abatido, as consequências são imediatas e devastadoras: queda brusca de renda familiar, abandono escolar — especialmente entre meninas —, aumento do trabalho físico e emocional das mulheres e exposição à pobreza extrema. A pesquisa de campo citada no relatório revela que até 97% das mulheres entrevistadas em regiões do Quênia relataram ter perdido seus jumentos para essa indústria. A renda dessas famílias chegou a cair até 73%. Também evidencia que essa prática agrava desigualdades de gênero, impede o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e compromete o conceito de One Welfare — uma abordagem que integra o bem-estar humano, animal e ambiental. Além disso, o transporte e o abate ilegais de jumentos representam sérios riscos sanitários globais, com potencial para desencadear novas pandemias. A campanha Fim do Abate defende o fim imediato do comércio global de peles de jumento, a adoção de alternativas sustentáveis para o ejiao e o fortalecimento de políticas públicas para proteger comunidades vulneráveis. Entre as medidas sugeridas estão o veto à exportação de peles, a repressão ao tráfico ilegal de animais, a recusa no transporte dessas cargas por companhias aéreas e marítimas, e a promoção de tecnologia como a agricultura celular para substituir a matéria-prima animal. Informações para assinar e compartilhar a campanha estão disponíveis em www.fimdoabate.com.br
Censo ABCR 2025 revela perfil e desafios da captação de recursos no Brasil

O painel O perfil dos captadores brasileiros: dados do Censo ABCR 2025, realizado na tarde do primeiro dia do Festival ABCR (16 de junho), apresentou um panorama inédito da profissão no país. A pesquisa, conduzida pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), foi debatida por Fernando Nogueira, diretor executivo da organização, e Ana Flavia Godoi, fundadora da Rede Conexão Captadoras e referência internacional na área. O Censo tem como objetivo mapear o perfil dos profissionais que atuam na captação e mobilização de recursos para causas sociais no Brasil, além de identificar tendências e desafios enfrentados no campo. Entre os dados divulgados, o salário médio dos captadores gira em torno de R$ 8.500. Os principais obstáculos enfrentados envolvem a falta de tempo dedicado exclusivamente à captação — muitas vezes acumulada com outras funções —, a ausência de visão estratégica por parte das organizações, escassez de recursos disponíveis e a carência de profissionais qualificados. As cinco áreas mais citadas como apoio à captação são: comunicação e marketing, setor administrativo-financeiro, diretoria e conselho, equipe de projetos e prestadores de serviços externos. As atividades mais frequentes no cotidiano dos captadores incluem: elaboração de projetos (82%), ações de comunicação e marketing, relacionamento com doadores (65%), gestão e planejamento estratégico (67%), acompanhamento financeiro e de projetos (62%), pesquisa de doadores potenciais (61%), criação de planos de captação (60%), reuniões (58%) e realização de eventos (56%). Entre as estratégias mais utilizadas estão: participação em editais de empresas, fundações e governos; uso de leis de incentivo; parcerias com empresas; eventos como jantares e bingos; doações recorrentes de pessoas físicas; botões de doação em sites e redes sociais; e captação com grandes filantropos. A pesquisa também revelou dados preocupantes sobre preconceitos na área: 27% dos respondentes afirmam enfrentar barreiras relacionadas à identidade; 35% já passaram por situações desconfortáveis ou discriminatórias; e 54% reconhecem que mulheres, pessoas negras e de grupos minorizados enfrentam dificuldades específicas na profissão. Mais informações estão disponíveis no site da ABCR: www.captadores.org.br
Entrevista com diretor executivo da ABCR sobre os 25 anos da organização, desafios da profissão e dados sobre mobilização de recursos

A 17ª edição do Festival ABCR reuniu mais de 1.200 pessoas em torno de 130 palestrantes, 90 debates, cinco plenárias e diversas masterclasses, consolidando o evento como referência para a área de captação de recursos no Brasil. Na ocasião, também foram celebrados os 25 anos da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). A Kantuta Comunica conversou com o diretor executivo da entidade, Fernando Nogueira, administrador de empresas com mestrado e doutorado em Administração Pública e Governo pela FGV-SP. Ele falou sobre os principais marcos dessa trajetória, os aprendizados do festival e dicas valiosas para quem quer ingressar na profissão. Kantuta Comunica- Como foi celebrar os 25 anos da ABCR junto aos dados do Censo 2025? O que ainda será incluído após o evento?Foi uma celebração muito especial. Tivemos uma plenária dedicada à nossa história, com homenagens a fundadores e ex-presidentes. Também apresentamos dados preliminares do novo Censo ABCR, que mostram a evolução da profissão. Pela primeira vez, incluímos respostas de pessoas que não são associadas, o que ampliou a representatividade dos resultados. Um dado importante é que a maioria dos captadores atua com vínculo CLT e salário fixo, o que mostra profissionalização e amadurecimento do setor. Ainda serão inseridos cruzamentos mais detalhados, como diferenças entre homens e mulheres, perfis de associados e não associados, atuação em organizações grandes ou pequenas, entre outros recortes que ajudarão a entender melhor o ecossistema da captação. Kantuta Comunica – Quais foram os principais aprendizados desta edição do Festival? Destaco três grandes aprendizados: • Tecnologia e inteligência artificial: estão definitivamente incorporadas ao nosso cotidiano. Precisamos aprender a utilizá-las de forma estratégica, sem abrir mão do elemento humano, essencial para o relacionamento com doadores e parceiros. Não existe botão mágico que resolva tudo. • Contexto desafiador: vivemos um cenário instável, com guerras, cortes em doações internacionais e discursos hostis às organizações da sociedade civil. Nesse contexto, é fundamental investir em estrutura, equipe e uma área de captação sólida. Não é hora de cortar investimentos, mas de fortalecer vínculos com as bases de apoio. • Aprendizado prático e coletivo: pela primeira vez realizamos uma plenária de pitch de captação ao vivo. Três participantes fizeram apresentações para captar recursos na frente de um júri especializado, que deu feedbacks na hora. Foi emocionante e muito rico em aprendizados. Essa experiência certamente voltará nas próximas edições. Kantuta Comunica- Que conselho você daria para quem quer iniciar na área de captação de recursos? Que livros e podcasts você recomenda?O primeiro passo é acessar o site da ABCR. Lá temos o boletim semanal com notícias do setor, a plataforma Captamos com dicas e conteúdos relevantes, além de cursos oferecidos pela Escola Aberta do Terceiro Setor — muitos deles gratuitos e ministrados por associados da organização. Uma grande novidade lançada nesse Festival é a certificação profissional em captação de recursos, que reconhece formalmente quem atua com ética, competência e experiência na área. O processo de certificação também serve como guia de aprendizado e desenvolvimento profissional. No site de certificação, há uma lista de referências, livros recomendados e orientações para quem deseja se preparar. A captação é uma área estratégica e transformadora. É preciso preparo técnico, sensibilidade e engajamento com a causa. Mas, para quem se dedica, é também uma trajetória muito recompensadora. Para saber outros temas debatidos no evento, acesse o site do Festival ABCR aqui: https://festivalabcr.org.br/
Festival ABCR 2025 celebra 25 anos da organização e consolida captação de recursos como profissão reconhecida no Brasil

O Festival ABCR 2025, realizado em São Paulo entre os dias 16 e 17 de junho , celebrou os 25 anos da Associação Brasileira de Captadores de Recursos com um público recorde. Na segunda-feira e primeiro dia de evento, reuniu profissionais, especialistas e as gestões anteriores da organização, reforçando a trajetória de consolidação da captação de recursos como uma profissão legítima e estratégica no fortalecimento do terceiro setor. João Paulo Vergueiro, diretor do Hub da América Latina do GivingTuesday, doutorando em filantropia e professor da FECAP, destacou o reconhecimento formal da ocupação no Brasil. “Nos últimos quatro anos, essa profissão cresce e se fortalece. Em Portugal, é chamada de captador de fundos; nos Estados Unidos, fundraising; e no Brasil, captador ou mobilizador de recursos – já reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)”, afirmou. Criada em 1999, a ABCR surgiu em um contexto de crescimento das organizações da sociedade civil, como ONGs, OSCIPs, OSSs, institutos e fundações. Desde o início, pautou sua atuação pela ética, profissionalização e qualificação da captação de recursos. “A primeira coisa que fizemos foi elaborar nosso código de ética, inspirado em modelos internacionais. Começamos com 20 pessoas e hoje somos mais de mil, trocando experiências e aprendizados. Os desafios mudaram: na época não havia nem internet, e hoje lidamos com LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), redes sociais, eventos climáticos e polarização política. Evoluímos com o mundo. Tenho muito orgulho de ser captadora há 30 anos. Foi com essa profissão que sustentei meus filhos”, afirmou Patrícia, uma das fundadoras da associação. Rodrigo Alvarez, idealizador da Mobiliza Consultoria e integrante de gestões anteriores da ABCR, ressaltou o propósito da criação da entidade: “Não queríamos apenas institucionalizar uma área, mas construir uma cultura de responsabilidade. Captar recursos é um ato de confiança, escuta e compromisso. Requer ética, coragem moral e consciência.” Durante o painel, também foram homenageadas figuras importantes da história da ABCR, como Custódio Pereira, Cristina Morato, Marcelo Estraviz, João Paulo Vergueiro (JP) e René Stuart, em nome de seu pai Sérgio Stuart. Inovação impulsiona resultados na captação Um dos destaques da manhã do primeiro dia foi a palestra Como a tecnologia liberta, acelera e potencializa resultados, com Soraya Lopes, gerente de produtos e operações na Trackmob, e Louise Toews, coordenadora de marketing, performance e dados no Hospital Pequeno Príncipe. Elas compartilharam a criação conjunta de uma plataforma de CRM e um produto chamado Smart Pix, que permitiu integração de dados e resultados expressivos: 70% das doações passaram a ser feitas via Pix, com economia de mais de 5 mil horas de trabalho. “Você liberta pessoas para atuarem de forma mais estratégica”, explicou Soraya. Louise complementou: “Temos 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito, mas com acesso ao Pix. Hoje recebemos cerca de 26 doações por dia, com valores que variam até R$ 5 mil. Também desenvolvemos um portal da privacidade, com avaliação automatizada da procedência dos dados e integração com o sistema interno do hospital.” Trajetórias inspiradoras: IPÊ e Fiocruz O painel Trajetórias na captação trouxe os casos do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e da Fiocruz, com Andrea Peçanha e Luis Donadio. Donadio, gerente de parcerias da Fiocruz, relatou a criação do escritório de captação da instituição em 2007. Em 2013, já eram 45 parcerias ativas. O marco veio em 2020, durante a pandemia, com o programa Unidos Contra a Covid, que arrecadou R$ 530 milhões. “Captação exige planejamento, sistematização e coragem para se expor. Mais do que o valor captado, o impacto institucional é fundamental. É uma construção baseada em confiança e processos sólidos”, disse, citando Eduardo Galeano: “É preciso ter uma utopia que te coloque em movimento.” Andrea, coordenadora da Unidade de Negócios Sustentáveis do IPÊ, reforçou a importância do papel da captação para a conservação ambiental. A organização atua em quatro biomas brasileiros, com mais de 10 milhões de árvores plantadas e 20 mil pessoas beneficiadas por ano. “Nosso desafio sempre foi crescer com sustentabilidade, diversificar fontes e conquistar recursos sem restrição”, explicou. Em 2003, com apoio da Fundação Avina, o IPÊ criou a unidade de negócios sustentáveis, com foco em parcerias e geração de receitas por meio da comercialização de produtos e serviços. Três núcleos foram estruturados: desenvolvimento institucional, negócios sustentáveis e comunicação. “Começamos com R$ 60 mil e hoje temos orçamento de R$ 85 milhões, com 74% vindo do setor privado. Até 2003, não havia nenhuma verba privada”, detalhou Andrea. Ela finalizou destacando a importância da confiança: “Nada substitui uma entrega de qualidade e uma comunicação transparente. Investidores querem se sentir parte da causa.” Para saber outros temas debatidos no evento, acesse o site do Festival ABCR aqui: https://festivalabcr.org.br/
Tecnologias para promoção da parentalidade positiva: estudo de casos

O estudo sobre o Uso de Tecnologias para a Promoção da Parentalidade Positiva e do Desenvolvimento Infantil no Brasil apresenta ferramentas digitais que fortalecem a pauta da primeira infância e sintetiza as principais descobertas discutidas na Reunião Técnica, realizada em 7 de novembro de 2024, promovida pelo Banco Mundial e pela United Way Brasil (UWB, em parceria com a Universidade Harvard, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Fundação Van Leer. Esta publicação traz práticas e uma análise das formas como a tecnologia pode ser aliada para o debate na pauta de parentalidade. Essas iniciativas latino-americanas criaram e usam soluções tecnológicas para aperfeiçoar o alcance de políticas públicas e apoiar cuidadores em contextos diversos. São aplicativos, vídeos educativos, mensagens por WhatsApp e plataformas de capacitação com potencial para oferecer conteúdos de qualidade sobre práticas parentais, estimulando vínculos afetivos, desenvolvimento cognitivo e bem-estar das crianças. Entre as experiências apresentadas, estão: Afini, um chatbot com inteligência artificial que sugere atividades para pais e responsáveis realizarem com as crianças; o Crescer Aprendendo que articula oficinas com redes de apoio híbridas com grupos online e mentorias; a Jornada Online Primeira Infância (JOPI), uma trilha formativa voltada para apoiar o serviço de visitação domiciliar do Programa de Primeira Infância no Sistema Único de Assistência Social – Criança Feliz (SUAS) com capacitação online de profissionais; Nelson, o Nenê, um personagem que traz conteúdos para sensibilizar e apoiar famílias e cuidadores de crianças na primeira infância sobre promoção do cuidado e desenvolvimento infantil; Pé de Infância e FAMÍLIA+ combinam atividades presenciais em grupo com conteúdos digitais voltados para cuidadores; Triagem e Estimulação do Desenvolvimento Infantil (TEDI) e o Programa de Parentalidade da FMUSP, que combinam atendimento remoto e conteúdos interativos. Todas as iniciativas possuem parcerias com organizações da sociedade civil e a maioria com órgãos públicos. A publicação também compartilha os principais aprendizados, pontuando em cada desafio as saídas sugeridas e as estratégias de desenvolvimento contínuo das tecnologias e do monitoramento de resultados para a adaptação do produto às necessidades das famílias. O relatório ressalta o fortalecimento de parcerias entre governos, especialistas, organizações sociais e o setor tecnológico para desenvolver soluções baseadas em evidências, acessíveis e escaláveis. Ressalta ainda a importância de avaliar os impactos dessas iniciativas com rigor e de assegurar que estejam centradas nas necessidades das famílias. O uso estratégico de tecnologias, quando integrado às políticas públicas, pode se tornar um poderoso aliado na promoção do cuidado responsivo e do desenvolvimento integral das crianças brasileiras desde os primeiros anos de vida. Acesse aqui o estudo na íntegra.
O que pensam as pessoas sobre o uso de IA por ONGs

O uso de inteligência artificial (IA) por organizações não governamentais (ONGs) é um tema que desperta interesse global. Esse foi o tema central da pesquisa realizada pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). O levantamento, que ouviu mais de seis mil pessoas de 10 países, incluindo o Brasil, revelou otimismo em relação às possibilidades que a IA pode trazer, mas também destacou preocupações importantes. Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados acreditam que os benefícios da IA superam os riscos potenciais, enquanto 22% pensam o contrário. As principais oportunidades associadas ao uso da tecnologia incluem: Por outro lado, os principais riscos identificados foram: De forma geral, a maioria dos participantes avalia que as oportunidades superam os riscos: 34% acreditam que ambos se equilibram, enquanto 25% enxergam mais oportunidades. Em países de baixa e média renda, o otimismo é ainda maior. No Quênia, por exemplo, 44% das pessoas veem mais benefícios. Já na Austrália, foi o único país onde a maioria considerou que os riscos superam as oportunidades, com saldo de -4%. A capacidade da IA de permitir respostas mais rápidas e direcionadas foi destacada como a oportunidade mais esperada e outros benefícios apontados foram: Apesar disso, há preocupações relevantes: Esses resultados mostram que o público espera transparência e cautela das ONGs no uso da IA. Em especial, doadores de maior valor tendem a observar mais atentamente como as organizações aplicam a tecnologia para cumprir suas missões. Para a CAF, a pesquisa também reforça que os países de baixa e média renda enxergam melhor as oportunidades do uso de IA em ONGs, especialmente no impacto humano positivo, como ajudar mais pessoas e responder a desastres. A pesquisa completa pode ser acessada no site da CAF.
Pesquisa Olhares do ISP: avanços, desafios e oportunidades

O GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) lançou recentemente a pesquisa qualitativa Olhares do ISP, que analisa os avanços, desafios e oportunidades do segmento de Investimento Social Privado (ISP) no Brasil. O estudo aborda temas como diversidade, justiça social, cultura de doação, transparência e estratégias para ampliação do impacto social no país. Principais pontos da pesquisa GovernançaA pesquisa apresenta um panorama geral sobre o ISP, destacando a evolução do setor no Brasil e trazendo uma cronologia de seu fortalecimento. Entre os avanços mencionados, destacam-se maior profissionalização, aumento do número de pessoas interessadas em gerar impacto social transformador e maior diversidade nas formas de atuação. Por outro lado, foram identificados desafios importantes, como as desigualdades nos espaços de tomada de decisão e a concentração de recursos em áreas ou regiões específicas. Atuação do ISP Os temas mais abordados pelos associados ao GIFE incluem educação, cultura e juventudes. Apesar de abordagens transversais, a maioria dos projetos foca na capacitação para o mercado de trabalho.As questões ambientais também foram destacadas como prioridade para os próximos anos, especialmente no contexto da mitigação da crise climática e no enfrentamento dos impactos da emergência ambiental, como o acesso à água. Cultura de doação Um dos consensos do estudo é a ausência de uma cultura de doação consolidada no Brasil. Foram apontados três principais fatores para esse cenário: dificuldade em superar interesses individuais em prol do bem comum; comparação com países do Norte Global, onde o investimento filantrópico é mais consolidado, como os Estados Unidos; falta de conhecimento sobre o ISP e seu impacto no Brasil, sendo que muitas pessoas ainda confundem filantropia com caridade. Para reverter esse quadro, as lideranças sugerem: sensibilizar gestores e investidores para a prática de doação; oferecer oportunidades concretas e informações para aplicação de recursos; aumentar a incidência do tema na mídia, promovendo informações sobre o ISP; e avançar com incentivos legislativos para doação, como impostos sobre grandes fortunas e heranças. Transparência O GIFE disponibiliza o Painel de Transparência, uma ferramenta que organiza e compartilha informações institucionais de seus associados por meio de indicadores. O painel permite verificar se as organizações publicam informações relevantes em seus sites, com acesso direto por meio de links. Acesse o Painel aqui. Quer acessar a pesquisa Olhares do ISP? Visite o site do GIFE neste link.
Mapa da Desigualdade de São Paulo 2024

Nesta última quarta-feira (27/11), a Rede Nossa São Paulo lançou o Mapa da Desigualdade de São Paulo 2024 no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Com 10 indicadores de 96 distritos da capital paulista, o estudo avalia: saúde, habitação, trabalho e renda, mobilidade, direitos humanos, cultura, esportes, infraestrutura digital, segurança pública e meio ambiente. O levantamento traz a oferta de serviços e infraestrutura urbana em cada distrito da cidade, com dados para comprovar a qualidade de vida da população nessas regiões. Nesta edição, o estudo contou com uma série histórica do indicador Idade Média ao Morrer, com dados de 2006 a 2023. Essa análise traz uma evolução da média geral da cidade e os dados dos distritos com melhor e pior desempenho: Alto de Pinheiros (82 anos) e Anhanguera (58 anos). Na média geral, os moradores da capital vivem seis anos a mais do que há 17 anos. Outros dados relevantes do estudo: – A proporção estimada de domicílios em favelas em relação ao total de domicílios: 10 distritos não possuem nenhum domicílio em favela (Alto de Pinheiros, Perdizes, Jardim Paulista, Moema, Bela Vista, Sé, República, Consolação, Cambuci e Bom Retiro). Já Vila Andrade possui 35% dos domicílios. – O tempo médio de deslocamento por transporte público: calculado em minutos no pico da manhã – uma média ponderada do tempo de viagem estimado das viagens feitas pelos usuários em cada distrito: 25 minutos em Pinheiros e 71 minutos em Marsilac. – Equipamentos públicos de cultura: proporção de equipamentos públicos de cultura (municipais) para cada cem mil habitantes por distrito: República com 25% e 0% em Jaguara, Belém, Jardim Paulista, Barra Funda, Campo Grande, Vila Leopoldina, Jaguaré, Saúde, Perdizes, Santa Cecília, Cambuci, Campo Belo, Ponte Rasa,Vila Andrade, Vila Sônia, Aricanduva, Vila Medeiros, Cidade Dutra, Brás, Rio Pequeno, Marsilac, Iguatemi, Vila Matilde e Pedreira. Estudo completo aqui.
Seminário debate segregação nas carreiras, políticas públicas de incentivo e igualdade de gênero na educação

No auditório do Centro MariAntonia da USP, educadores, representantes de institutos, organizações da sociedade civil e pesquisadores discutiram caminhos para uma educação mais diversa e inclusiva durante o Seminário Gênero e Políticas Educacionais no dia 11 de novembro. Promovido por Ação Educativa, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Fundação Carlos Chagas, Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e Professores contra o Escola Sem Partido, o evento também apresentou uma pesquisa sobre gênero nas políticas educacionais. Desafios de gênero na educação Na mesa Desafios de Gênero na Educação, Liliane Bordignon, da Fundação Carlos Chagas, apresentou dados do Mapa das Matrículas Iniciais na Educação Profissional Técnica de Nível Médio no Brasil: diferenças de gênero nos cursos técnicos. Segundo o levantamento, 57% das matrículas são de mulheres e 43% de homens. Entre os cursos analisados, Enfermagem lidera com 55 mil matrículas a mais que Administração. Estética, Podologia e Imagem Pessoal possuem maior participação feminina, enquanto Informática, Eletrotécnica e Mecânica são dominados por homens. “Jovens negras enfrentam uma ausência de perspectiva de carreira, além do peso do trabalho doméstico e a concentração em nichos menos valorizados”, destacou Liliane, defendendo políticas públicas que combatam as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Raça, classe e interseccionalidade Bárbara Araújo, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, discutiu o tema Desigualdade entre as Mulheres: Gênero, Raça e Interseccionalidade. Para ela, as políticas públicas precisam ser integradas, considerando as múltiplas dimensões das identidades. “A identidade está conectada à classe social. Ao falar de trabalho e raça, precisamos incluir as vivências de pessoas trans, negras e precarizadas”, afirmou. Experiências educativas de pessoas trans Dayanna Louise, da ANTRA, compartilhou a história de Brenda, uma mulher trans que teve sua principal formação educacional fora da escola. Expulsa do sistema educacional aos 13 anos, ela encontrou na prostituição um espaço de aprendizado, onde adquiriu habilidades como idiomas e conhecimentos sobre saúde. “A rua foi a melhor escola que tive”, relembra. Meninos negros como sujeitos de políticas públicas Alexandre Bortolini, presidente da ABETH, apresentou resultados preliminares do estudo Meninos Negros como Sujeitos de Políticas Públicas de Educação. Ele apontou a exclusão desse grupo das ações educativas desde os anos 1990. “As políticas curriculares e de aceleração da aprendizagem geralmente ignoram meninos negros. Há lacunas na educação para relações étnico-raciais. No campo progressistas, somos considerados exagerados. A produção e o uso de dados educacionais desde 1990 ainda têm problemas, em especial dados sobre estudantes. Precisaríamos resgatar o IDEB para checar as assimetrias que existem e acompanhar as estratégias que irão levar alunos de avaliação e remover do ensino regular para uma juvenilização do EJA (Educação de Jovens e Adultos)”, avalia o comunicador social. Alexandre também disponibilizou gratuitamente seu livro É para falar de gênero SIM! – Fundamentos legais e científicos da abordagem de questões de gênero na educação .